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    Trecho de um livro que estou escrevendo


    O amigo está com certeza se questionando o que me levou a viajar para ao Interior de trem se, bem rápido, poderia tomar a BR duplicada, confortavelmente no veículo com ar condicionado. E mais, tomar um trem no final da tarde, com o risco de uma estada noturna nos grotões da vida… faz parte do processo. Há momentos que precisamos abdicar de confortos. 

                Me acomodo perto da janela. A senhora se acomoda logo a frente. Não me importo inicialmente com sua presença. Em mãos tenho um livro que pretendo ler enquanto resta um pouco de claridade – abreviar a viagem e se isolar dos demais. Não estava nem um pouco afim de topar com alguém ou conversar. Na verdade já tinha me arrependido por demais em escolher essa viagem para o Interior. Tantos lugares bons, logo para os lugares longínquos, uma fazenda? Eu e minhas idéias, bah! 
                Mas exatamente voltar depois de tanto tempo para a fazenda em que vive por 18 anos. Uma confusão interior imperava. 

                Já anoitecera quando trem iniciou sua jornada. Sob a luz bruxuleante vou divagando nos pensamentos. Quase esqueço que estava com uma leitura boa em mãos. O sol poente pintava de laranja o céu sereno. Contemplava a dança das árvores que passavam no ritmo do vagão. O mundo caminhava indiferente na rotina no viver. Algumas casas com luz elétrica já pontilhava o cenário.  Esqueci o livro e naveguei naquela paisagem. Encostei suavemente no banco.
    …..
    A  Senhora do Olhar Jovial
                Não posso deixar de escrever alguma coisa neste caderno sobre a senhora que acaba de sentar ao meu lado. Você vai perceber em instantes os motivos.

                De seu semblante emanava uma tranqüilidade incompatível com as minhas emoções e com a época em que vivemos. Era respirava passado, com ar de presente e um olhar de futuro. Não trazia em seus gestos marcas tão comuns, mas atitudes firmes. Serenamente olhava o horizonte acariciando levemente os cabelos da criança encostada em seu regaço. O mais impressionante, amigo, era o olhar. Os olhos amendoados represavam sabedoria. 

                Em alguns momentos me peguei olhando em seus olhos. Eles eram reveladores…
    (Fragmentos do Livro: “O TREM E A VIDA” - José Batista Neto - Escrevendo)

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