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    Carnaval de outros tempos - 1



    Vou escrever linhas baseadas em saudades. Um tempo em que as coisas mais simples eram devidamente valorizadas e os valores não eram invertidos. A cada nova transformação na sociedade, otimistas, mas apreensivos devemos ficar. Quero lembrar com certa saudade de uma época não tão distante em que as pessoas verdadeiramente brincavam o carnaval, sem cor, partido, etnia ou censuras. A vida simples que se fora.

    Um carnaval com cultura, simplicidade e muita alegria. Nas cidades de interior, na praça uma bica com água abundante jorrava nas conhecidas manhãs de sol. A garotada se divertia no 'mela-mela' e depois se esbaldavam no banho na referida bica. No palco discretamente montado, reinava o frevo, as marchinhas, as coisas que enriqueciam mesmo na irreverência inerente do carnaval. Não se vê essa tradição nas cidades, com raríssimas exceções. Em algumas, partidos e grupos políticos se apossaram do carnaval e implantaram um clima de rivalidade eleitoral que em nada tem a ver com a alegria da festa e com a democracia da essa alegria.

    Os blocos saíam programados em horários estratégicos. As famílias aproveitavam para se reunir e fazer a própria festa de um modo bem amador mas que causava um fervor que se convertia nos frevos tocados e dançados. Os sítios, chácaras e fazendas literalmente 'ferviam", de alegria.

    As canções que não se referiam unicamente e de modo tão explícito a genitalidade banal ao qual o ato sexual foi reduzido hoje em dia. A mulher era símbolo de poesia e lirismo e não em mercadoria  exposta pelas canções de hoje em dia - se é que podem ser chamadas de canções..meros batuques ensudercedores que só resultam na redução da capacidade auditiva e nada mais. Pode parecer coisa de tolo ficar divagando nessas coisas mas é preciso lembrar para associar a grande perca que o carnaval de hoje em dia sofre: literalmente foi profanado, violentado, cuspido.

    Apesar dos esforços, o pouco que resta do conceito de carnaval está sumindo. Creio que há possibilidade em preservar o que resta. No entanto vai exigir atitudes e esforços que os líderes da sociedade não estão nada dispostos a efetuar. Era uma vez o carnaval de rua, do belo, do certo, da alegria.

    José Batista Neto


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